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É muito difícil comprir metas? Talvez seja a primeira grande questão da gestão participativa na execução de trabalhos em equipe de elevada performance, principalmente quando a organização passa a compartilhar as informações e todos os colaboradores são convocados a participarem da elaboração do plano estratégico e das metas.
Caro leitor, se você continua liderando equipes exatamente da mesmo forma que fazia no passado, onde a produtividade era proporcional ao nível de ruídos do sapato do gerente, quando este andava pelos corredores da empresa, então a melhoria dos resultados só virá através de mudanças no mercado ou por um aumento de vendas, provocado por um erro da concorrência. Isso eu chamaria de pura sorte!

Crescer e desenvolver a equipe junto às falhas da concorrência e as oportunidades oferecidas pelo mercado é o mesmo que navegar ao "sabor" do vento. É como jogar ao acaso os resultados, eu diria que é um gerenciamento aleatório e randômico. Portanto, aumentar a pressão interna e comprometer o clima organizacional só traz resultados em empresas que vivem no status quo da gestão autocrática e impositiva. Mas, no caso proposto por este texto, seria aplicado um modelo dinâmico e participativo de gestão. Dessa forma, os seus resultados não seriam obras do acaso. Ao contrário, seriam previsões tangíveis e mensuráveis, decorrentes do modelo participativo e que geram uma pressão saudável ao ambiente organizacional. Essa considerada pressão viria por imposição, onde todos os envolvidos compartilham as informações e são cúmplices do plano estratégico e das metas.

Há uma situação anterior de conforto, o que na maioria das empresas já não é verdade há muito tempo. Portanto, uma boa gestão de pessoas, conduzirá todos os envolvidos na meta para um processo de mudança, que deve ser "compartilhada" e "sincronizada" em tempo real. "A participação de todos os membros engajados na formulação do plano estratégico e na elaboração das metas, torna-se a âncora para mudar a cultura da organização com a rapidez necessária. Lembrem-se: vivemos o paradigma da informação, onde a velocidade e a capacidade de adaptação às mudanças, vencem o tamanho e a grandeza dos recursos".

Falo isto, baseado na minha própria experiência em consultoria de Recursos Humanos, onde tenho participado de projetos de desenvolvimento e de implantação de mudanças em empresas que estão trocando seus "Recursos Humanos" por "Gestão Estratégicas de Pessoas", estabelecendo um novo ambiente organizacional, deixando a tradicional "Cultura do Direito Adquirido", com rumo à "Cultura da Consquista".

Nestas empresas, um plano de metas se assemelha a um plano de vôo. "Você não conhece a rota, sabe das coordenadas para ir de um ponto ao outro, mas não pode dizer que é uma aventura, senão você vai administrar sozinho". A meta deve dar credibilidade à visão e deve estar alinhada ao plano estratégico, no seu conceito macro. Mesmo que a organização tenha um plano detalhado, é bom desenvolver junto às pessoas uma previsão de erro e adotar uma cultura da busca constante de melhoria. Portanto, o erro passa a ser encarado como um case, que deve ser analisado criteriosamente, deixando de ser objeto de penalidades.

Às vezes, errar é até saudável. Na década passada, uma das metas de um grande número de empresas era ganhar alguma concorrência na privatização do setor de telecomunicações, e afirmo isso porque atuo neste setor. Algumas empresas não levaram nada e aquelas organizações consideradas "inteligentes", que tinham uma previsão e margem de erro, hoje não estão decadentes por isso.

"Olha como está esse mercado", dizem os mais pessimistas sobre Telecom; "Ainda bem que não conseguimos cumprir a meta", pensam outros. Um bom exemplo de metas de transformação é a empresa de papel e celulose Bahia Sul, do grupo Suzano, presente em um grande número de cases apresentados pela mídia e nas salas de aula. Criada em 1992, a Bahia Sul ainda patinava até meados de 1998, com taxa de retorno dos investimentos negativa, quando resolveu adotar um programa da Fundação para o Prêmio Nacional de Qualidade (FPNQ). No âmbito macro da gestão empresarial - PEST- as metas, de cinco anos, incluíam ações em relação a pessoal, clientes, estratégias e processos.

Existiam várias ações encaminhadas, mas não iam todas na mesma direção. Quando adotaram os critérios da FPNQ, de classe mundial, conseguiram criar uma cultura de comprometimento com controle de custos, busca de resultados e companheirismo, através de um modelo de gestão estratégica de pessoas. Como implementar este conceito participativo? Um exemplo da mudança pode ser as reuniões semestrais para prestar contas aos empregados sobre o plano diretório e os resultados, que pode ser através de uma comissão para apurar Lucros ou Resultados.

Outra questão espinhosa no estabelecimento de metas é o eterno conflito entre o curto e o longo prazos, ou seja, entre o estratégico (norte/ideal) e o operacional (real). Numa época de crise, por exemplo, os problemas com a administração financeira e do fluxo de caixa começam a aparecer no curto prazo e os resultados têm de vir imediatamente, sob pena da empresa jamais chegar pelo menos ao médio, que dirá ao longo prazo. É preciso dosar muito bem as metas.

Portanto, neste momento, justificam todos os esforços do novo modelo, daquele onde as pessoas estão compartilhando as informações, em mão dupla. Academicamente, o que importa são os objetivos de longo prazo. Mas na vida real, estes esforços são maximizados quando existe um alinhamento de todos os envolvidos para uma única estratégia, onde todas as metas de curto prazo são passos no caminho da redenção e da imortalidade da empresa.

Na prática, quase sempre os objetivos de curto prazo conflitam, e muito, com os de longo. Desta forma, compartilhar com as pessoas as informações, através de um estilo de gestão participativa e democrática, pode se tornar um diferencial competitivo, capaz de perpetuar a organização.

Em primeiro lugar, numa organização não participativa (autocrática) os momentos de crise são vividos por um pequeno e "seleto" grupo de pessoas, porque o enxugamento dos custos costuma gerar excelentes resultados de curto prazo, mas deixa a estrutura enfraquecida pela falta de compartilhamento dos valores, onde as pessoas tornam-se resistentes e adotam uma postura defensiva, deixando o clima organizacional ruim, desagregando as pessoas e trazendo o caos.

Nestas organizações, normalmente familiares, o principal executivo não é incentivado a pensar no longo prazo, pois os demais acionistas, geralmente da mesma família, conflitam em seus interesses, virando uma verdadeira torre de Babel, ninguém se entende e não chegam a lugar algum.

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Tomando um trago já no ventre materno

Ninguém é capaz de dizer exatamente quantos nenês nascem com o sinal de droga no rosto: lábio superior reto e extremamente fino, nariz largo, olhos pequenos e reduzidos por dobras no lado interno da pálpebra.
O que pesa muito mais é o retardo mental vitalício da criança que — como embrião indefeso — foi condenada a compartilhar a bebida.

Na Alemanha, cerca de 3 recém-nascidos em 1.000 vêm ao mundo com essa doença incurável, a síndrome do alcoolismo fetal. Hoje, 30 mil jovens são incapazes de levar uma vida normal. Perderam essa chance no ventre materno. Isso soa extremamente duro, mas todo esforço em atenuar o fato está errado em vista desse sofrimento evitável. Há milênios sabemos que o álcool pode ter conseqüências perigosas durante a gravidez. Na Bíblia, no Velho Testamento, um anjo adverte a mãe de Sansão a não tomar vinho durante a gravidez. Há 200 anos, uma comissão britânica tachou os recém-nascidos de mães alcoólatras de "famintos, atrofiados e defeituosos". Há duas décadas, médicos franceses e americanos documentaram e divulgaram as conseqüências do abuso de álcool durante a gravidez. Na mesma época, os pediatras Hermann Löser e Frank Majewski observaram um "faro" específico nas mães de bebês prejudicados. Fazendo perguntas sobre problemas com álcool, obtiveram a confirmação. Desde então, prestaram atenção à manifestação de problemas causados pelo álcool quando examinavam seus pequenos pacientes.

Além da má-formação dos olhos, dos rins, do esqueleto e dos genitais, constataram defeitos cardíacos em 30 de cada 100 crianças com a síndrome do alcoolismo fetal. Hermann Löser observou 200 dessas crianças nos anos seguintes e acompanhou seu desenvolvimento até a idade adulta. Há vários anos ele ajuda a "Iniciativa de pais de crianças prejudicadas pelo álcool" como conselheiro médico e engajou-se na pesquisa e divulgação: "Não estamos saindo do lugar", diz o pediatra. "Desde que conhecemos a doença, não foi possível diminuir o número de recém-nascidos atingidos". Os motivos disso são:

1. Poucos médicos decidem conversar com suas clientes sobre o hábito de beber.
2. Muitas mulheres não sabem, ou reprimem o conhecimento, que as crianças, vítimas do álcool, são prejudicadas pela vida toda.
3. Nas garrafas e latas de bebidas alcoólicas faltam advertências, que são obrigatórias, por exemplo, nos Estados Unidos.
4. São raros os locais adequados para o tratamento de gestantes dependentes do álcool. Quando existe, o tratamento ocorre, muitas vezes, somente depois do parto.
5. Não é raro a mulher dependente de álcool deixar temporariamente de menstruar. Ela só percebe que está grávida quando sente os movimentos da criança.
6. Nesse momento, as malformações orgânicas e os danos cerebrais já ocorreram.
O recém-nascido, que precisa "beber junto" no ventre materno, muitas vezes nasce prematuro, com peso bem abaixo do normal. Tem dificuldade em respirar espontaneamente. Muitos morrem nos primeiros dias após o parto, como o bebê da clínica de Essen que chegou ao mundo com uma taxa de 1,3 ppm no sangue. A extensão do dano causado pelo álcool está estreitamente relacionada com a duração e quantidade da ingestão de álcool — e, sobretudo, com a capacidade do organismo feminino de digerir o álcool. Isso quer dizer que:
O tempo e a regularidade de ingestão de álcool aumentam os danos provocados no fígado. Ele demora cada vez mais para digerir o álcool. Como o álcool passa rapidamente para o sangue, o drinque da mãe já atua sobre o bebê após 10 minutos, com o mesmo valor em ppm. Mesmo pequenas quantidades de álcool prejudicam o embrião.
Por esse motivo, os filhos de mães que bebem moderadamente sofrem de problemas de concentração e dificuldades comportamentais. O fígado imaturo do feto produz menos enzimas que decompõem o álcool do que o fígado da mulher adulta. Durante a ingestão regular de álcool pela mãe, o órgão ainda imperfeito do feto é completamente sobrecarregado e o efeito devastador do veneno é mais prolongado, continuando ainda quando a gestante voltou a estar sóbria. O abuso de álcool não prejudica apenas o fígado; as conseqüências desse abuso se alastram até o cérebro. Em geral, esse fato não é levado em consideração durante o consumo regular de álcool! ALT="criança marcada pela droga" align=left>Sob a influência do álcool, o desenvolvimento do cérebro em formação fica prejudicado. As circunvoluções cerebrais são menos pronunciadas e numerosas células nervosas ficam atrofiadas. Conseqüentemente, essas células dispõem de uma quantidade menor de sinapses — as conexões tão importantes para a transmissão de impulsos. Uma rede incompleta de neurônios conduz a informações errôneas e reações estranhas. Mais estranhos são os problemas na alimentação, que só são superados através de refeições mínimas durante meses e anos — em casos graves, somente por meio de uma sonda nasal. Crianças com síndrome do alcoolismo fetal recusam o alimento porque lhes falta a vontade normal de comer. Muitas vezes, comer e beber lhes causa medo e mal-estar. Seu tecido adiposo não é bem desenvolvido e, apesar de muitos cuidados e carinho, baixo peso e altura são a regra. Nervosismo inexplicado frente a determinados ruídos, irritabilidade excessiva e receio de qualquer contato físico, hiperatividade, sensação de náusea frente a cheiros comuns, bem como dificuldades na fala são problemas freqüentes. Muitas crianças com síndrome do alcoolismo fetal vivem em creches ou com pais adotivos, porque os pais verdadeiros não cuidam (ou não podem cuidar) delas. Muitas vezes, as pessoas que cuidam dessas crianças não sabem nada da doença, que só é diagnosticada a tempo em um quarto dos recém-nascidos. Quando ficam sabendo dos problemas, caem das nuvens.
Além dos receios por causa do comportamento estranho, as perspectivas futuras da criança prejudicada pelo álcool são mais do que graves:
Apenas cerca de 17% conseguem acompanhar o currículo normal. A metade tem que freqüentar uma escola para crianças com dificuldades de aprendizagem. 1/5 vão a uma escola para deficientes. Uma em cada oito crianças com síndrome do alcoolismo fetal não pode freqüentar uma escola.
Na maioria das crianças com síndrome do alcoolismo fetal, as deformações faciais desaparecem quando ficam mais velhas. Também a hiperatividade muitas vezes diminui. Mas a deficiência mental as acompanha pela vida toda. Conseguir ser independente, aprender uma profissão ou achar um parceiro é menos uma questão de cuidados intensivos — depende da gravidade do dano alcoólico que sofreram inocentemente.
Gestação e álcool são incompatíveis — não há meio termo. Não existe uma "dose limite" no consumo de álcool. A mulher que deseja ter um filho deve se abster do álcool já antes e durante a concepção.

Fonte: Vita Sana Magazin, nº 5 de 1991.

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Adolescência

Introdução
Desde o nascimento o ser humano percorre um caminho de crescimento que busca alcançar a maturidade, ou seja, busca torná-lo capaz de realizar-se como pessoa e como ser social. Esse processo de crescimento sempre é acompanhado de angústias. Para cada desprendimento há também um sofrimento. Desde o início da vida com o desmame, o engatinhar, o andar , mais tarde, o ter que ir à escola, etc., até os processos posteriores de adaptação às diversas situações da vida, que o obrigam a abandonar situações conhecidas e confortáveis e arriscar-se em novas vivências que a vida traz.
De todo o processo de desenvolvimento, a adolescência é o período mais tumultuado e decisivo. A criança adaptada à vida familiar é surpreendida por uma seqüência de modificações em seu corpo, acompanhadas de instabilidade psicológica. Isso tudo vai provocar um desequilíbrio e uma transformação de todo o seu ser. Percebe-se deixando a cômoda condição infantil e ingressando no mundo adulto, sem ainda se sentir preparada para isso.

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Puberdade
Para falarmos da adolescência precisamos passar pela puberdade, que é onde tudo começa.
Por volta dos 9-10 anos na menina e dos 10-11 anos no menino, as glândulas endócrinas atingem o amadurecimento e modificam seu funcionamento. Elas passam então a liberar hormônios no organismo que promovem tanto a maturação sexual, permitindo a capacidade reprodutiva, quanto o desenvolvimento geral do corpo do jovem, até atingir a forma adulta.
Na menina o primeiro sinal da ação desses hormônios é o aparecimento dos brotos mamários, com o aumento da sensibilidade dessa região. Logo começam a surgir os pêlos pubianos e axilares. Depois, ela entra na fase do estirão em que seu corpo cresce, estica e seus quadris se alargam,vai se perfilando a figura feminina. Mais tarde, ela se surpreende com a primeira menstruação e se dá conta de que já pode ser mãe.
Nos meninos o primeiro sinal é o crescimento do pênis com freqüentes ereções espontâneas, que vão desenvolvendo nele a segurança da potência masculina. Surgem, também os pêlos pubianos, axilares e mais tarde, os da face. Vem, então, a fase do estirão, em que seu corpo estica – ele se vê comprido, com pés, mãos e nariz grandes. Sua voz se modifica e oscila entre o fino e o grave.
Pouco mais tarde percebe que já produz espermatozóides e pensa: já posso ser pai.

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A perda do corpo infantil
Diante das modificações do seu corpo, o adolescente se sente desengonçado, estranho em si mesmo. A maneira como vai sentir e aceitar essas mudanças do seu corpo depende de sua subjetividade. Normalmente fica vulnerável às questões da aparência e qualquer reação das pessoas que lhe soa próximas pode ser suficiente para desencadear fortes sentimentos de insegurança. É comum observarmos o adolescente diante do espelho durante longos períodos de tempo; isso representa a necessidade de se apropriar desse novo corpo. Fica atento a detalhes e propenso a potencializar qualquer pequeno “defeito”. Alguns se defendem da insegurança que sentem desse novo corpo através do isolamento ou da timidez.
Todo esquema corporal formado durante a infância passa agora por uma transformação. Se isso pode ser perturbador é também muito saudável, porque conduz a novas potencialidades do corpo do jovem.
Enquanto seu corpo se modifica sem que ele possa controlar, também as emoções infantis agora se misturam e se confundem com novas necessidades. Percebe-se deixando antigas brincadeiras e objetos e se voltando curioso a um mundo novo que percebe estar se abrindo à sua frente.

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Algumas “anormalidades” normais da adolescência
Esse período da vida tem suas características próprias:
- O adolescente está vivendo um momento de crise. Ele não é mais criança, mas também ainda não é um adulto. Está buscando sua identidade. Sente-se confuso “perdido”. Freqüentemente se pergunta: “quem sou eu?”
- Seu corpo fica inquieto. Está sempre em movimento, anda, toca, pula, dá socos, balança as pernas,bate os joelhos, enfim se expressa fisicamente de múltiplas formas.
- É rebelde. Resiste em cumprir as tarefas que lhe são impostas, em função de sentir necessidades de reafirmar sua personalidade.
- Interessa-se bastante por esportes, rádio, TV>
- Tem dificuldade em ordenar suas coisas, que geralmente ficam esparramadas para todos os lados.
- Experimenta altos e baixos emocionais. Passa da euforia para a melancolia num clicar de dedos, sem nenhuma razão concreta.
- Preocupa-se com a justiça, apesar de , ao mesmo tempo, se divertir enganando os adultos.
- É muito freqüente uma grande disposição para a amizade, e é comum nessa fase desenvolver laços profundos.
- O amor que o adulto tem pelos pais não é igual ao da criança. O do adolescente, então, está na fase de transformar o amor infantil que tem por seus pais,em um amor mais consciente e adulto. Por isso a relação que têm com eles se modifica. Ele oscila entre um apego intenso, acompanhado de beijinhos e abraços, à rejeição brusca e às vezes até agressiva. Para perder a dependência, ele deprecia os pais. Acontece de se envergonhar deles, de os achar muito velhos ou mal vestidos, caretas, etc.. É a conhecida fase do “mico”. Com esse “rompimento” com os “pais da infância”, sente necessidade de buscar novas identificações em outros adultos e adolescentes. Aí “elege” pessoas que admira, entre elas costumam estar professores, treinadores esportivos, ídolos da música, TV ou cinema. E também busca a turma, que é acolhedora e vai ocupar o lugar que a família ocupava antes.
- Para encontrar a sua identidade, inicialmente é mais fácil mudar o parecer do que o ser. Por isso se diferencia através da roupa,dos piercings, etc, enfim através da aparência.
- Apesar de ter uma necessidade imensa de se comunicar, costuma ter dificuldade de falar. A maneira que tem de se expressar é através da ação. O adolescente fala através do corpo. A expressão do seu mundo afetivo se dá mais pela gesticulação. Essa é a razão de atitudes bruscas, às vezes agressivas, porque ele age no lugar de falar. Isso parece ser uma defesa contra o medo de adultos exigentes e críticos por quem não sente que será aceito, já que no grupo, onde se sente igual e compreendido, consegue falar mais livremente.
- Testa todas as regras, mas, apesar disso, precisa encontrá-las sempre lá, firmes, para se sentir seguro. Ao tratar com o adolescente é importante que ao lado das regras sempre se mostre um espaço, uma abertura, para conversas francas, que transmitam respeito e acolhimento. Se ele comparar as regras de sua família com as da família do amigo é importante dizer que nesta casa é assim, e que ele vai precisar se submeter a elas enquanto mora aí. Depois poderá criar as suas próprias. È muito importante que a proibição não tenha associação com humilhação. Ser do contra, invalidar as propostas dos pais, opor-se a eles é necessário para o adolescente adquirir a sua autonomia.
- O sentimento de onipotência, em que ele se considera o “todo poderoso”, tão comum nessa fase, nada mais é que uma “fachada”, que esconde muita vulnerabilidade. Por isso, é importante que o adulto acolha o adolescente, que o receba sendo adulto que está diante de um jovem e não esperando que ele já seja um adulto pronto também.

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O Grupo
O adolescente está mais preocupado com o que ai ser do que com o que vai fazer. Está num processo de transformar a criança que há nele em jovem capaz de fazer escolhas em todos os aspectos da vida, desde o corte de cabelo até a profissão, religião, etc..
Para alcançar a individualidade ele precisa passar pelo grupo. No grupo todas têm a mesma idade, as mesmas necessidades, as mesmas dificuldades, ou seja, eles vivem num nível de igualdade que gera segurança. A dependência que tinha pela família quando criança agora é transferida para o grupo. E essa vivência é muito importante e necessária. Ela exercita as relações de dar e receber. Permite a liberdade de errar e acertar sem críticas e condenações, enfim, ela favorece o desenvolvimento da tão desejada identidade. O adolescente que não passar pela vivência do grupo ficará prejudicado, porque terá que dar conta sozinho de intensas e freqüentes emoções.
Por outro lado, sabemos que o grupo pode esconder perigos. O adolescente está entrando num vasto território do qual não tem o mapa. Na ânsia de ampliar suas experiências e maravilhado com a força que descobre ter, ele nega a noção do risco. Vale lembrar que risco vem do grego rhiza, que significa raiz. Então a perda da noção de risco poderia ser entendida como uma quebra da condição de “propriedade” dos pais – sua condição, sua raiz. Quando corre risco sente como sendo ele o dono de si mesmo.
No entanto, com isso ele pode se expor à situações complicadas, como beber e sair dirigindo em alta velocidade, porque acredita que com ele nada vai acontecer. Experimenta drogas achando que nunca vai ficar dependente - mas a partir do momento que experimentou já abriu a possibilidade disso voltar a acontecer. Faz sexo sem proteção e se expõe a possibilidade de doenças ou gravidez indesejada, etc.. Ou seja, não costuma considerar conseqüências e com isso, infelizmente, muitos adolescentes ficam presos a fatos ou processos, muito vezes, de autodestruição.
É importante que os pais estejam atentos. Que conheçam o grupo, que saibam quem são os amigos e os ambientes que seu filho freqüenta. Quando o filho chega, se possível, estar presente e observar a maneira como ele está, olhar em seus olhos e observar se há algo que mereça uma atenção maior ou maiores cuidados. Devem fazer saber das regras e colocar limites. Porém, há também que se respeitar a fase de emancipação do filho, pois adotar somente uma postura repressiva poderá estimular o adolescente a arriscar-se em perigos ainda maiores.
Da infância dependente para a autonomia
A criança precisa da dependência dos pais para sobreviver. É na infância que se constrói os alicerces necessários para suportar os abalos da adolescência.
Quando as angústias da infância foram vividas com pais presentes, disponíveis, que, sem sufocar, souberam valorizar cada nova conquista da criança, foram previsíveis, na maneira de ser e de cuidar – porque pais inconstantes desorientam o filho. Os filhos que nos momentos de medo encontraram acolhimento e foram tranqüilizados, o que proporciona uma confiança e estabilidade emocional, conseguem lidar melhor com as dificuldades da adolescência, são mais seguros; e têm mais facilidade em construir uma identidade adulta, confiante e segura.
Já, o inverso, pais que durante a infância foram indiferentes, que deixaram que seus filhos se virassem sozinhos, criticaram muito as falhas – o que faz a criança se sentir desvalorizada, não ouviram suas angústias e temores ou sufocaram suas tentativas de desprendimento, produzem no filho um mundo psicológico inseguro, cheio de vazios, lacunas e inseguranças, que o acompanharão durante todo o processo de desenvolvimento e, na adolescência, terá grandes chances de se complicar e vir a ser a causa da busca do uso das drogas que eles descobrirão preencher, magicamente, suas angústias, seus vazios e produzir o sentimento da satisfação, de bem estar, tão procurado durante toda a sua existência.

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A Família
De uma maneira geral, constata-se que a família de hoje tem dado pouco apoio para as angústias dos filhos. Com a correria do dia-a-dia, cada um mal consegue suportar suas próprias angústias e com isso passam por cima do que há de mais importante, que é a formação dos filhos. Num grande número de casos essa responsabilidade acaba ficando por conta das avós, das babás, das escolas, quando não acaba ficando por conta do próprio filho. Há grande preocupação em dar conta de tudo rápido, mas a educação não é rápida. Ela é dia-a-dia, contínua, respeitando o tempo e o ritmo interno de cada um.
O jovem precisa muito mais de boa vontade do que de críticas. Há que se desenvolver um vínculo de afeto e de confiança e para isso é importante criar tempo para estar junto, é preciso suportar momentos de tensão, agüentar o tempo do jovem de fazer reclamações e protestos.
O jovem precisa de adultos seguros, que se aproximem dele com respeito e acolhimento respeitando o tempo dele ser jovem e não de adultos rígidos, autoritários, donos de verdades muitas vezes vazias de sentido.
O adolescente precisa ser formado e não informado. E formar significa colocar para fora o potencial do indivíduo.

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