A
SAPIENS VITA disponibiliza artigos de colaboradores:
É muito
difícil comprir metas? Talvez seja a primeira grande questão
da gestão participativa na execução de trabalhos
em equipe de elevada performance, principalmente quando a organização
passa a compartilhar as informações e todos os colaboradores
são convocados a participarem da elaboração
do plano estratégico e das metas.
Caro leitor, se você continua liderando equipes exatamente
da mesmo forma que fazia no passado, onde a produtividade era
proporcional ao nível de ruídos do sapato do gerente,
quando este andava pelos corredores da empresa, então a
melhoria dos resultados só virá através de
mudanças no mercado ou por um aumento de vendas, provocado
por um erro da concorrência. Isso eu chamaria de pura sorte!
Crescer e desenvolver a equipe junto às falhas da concorrência
e as oportunidades oferecidas pelo mercado é o mesmo que
navegar ao "sabor" do vento. É como jogar ao
acaso os resultados, eu diria que é um gerenciamento aleatório
e randômico. Portanto, aumentar a pressão interna
e comprometer o clima organizacional só traz resultados
em empresas que vivem no status quo da gestão autocrática
e impositiva. Mas, no caso proposto por este texto, seria aplicado
um modelo dinâmico e participativo de gestão. Dessa
forma, os seus resultados não seriam obras do acaso. Ao
contrário, seriam previsões tangíveis e mensuráveis,
decorrentes do modelo participativo e que geram uma pressão
saudável ao ambiente organizacional. Essa considerada pressão
viria por imposição, onde todos os envolvidos compartilham
as informações e são cúmplices do
plano estratégico e das metas.
Há uma situação anterior de conforto, o
que na maioria das empresas já não é verdade
há muito tempo. Portanto, uma boa gestão de pessoas,
conduzirá todos os envolvidos na meta para um processo
de mudança, que deve ser "compartilhada" e "sincronizada"
em tempo real. "A participação de todos os
membros engajados na formulação do plano estratégico
e na elaboração das metas, torna-se a âncora
para mudar a cultura da organização com a rapidez
necessária. Lembrem-se: vivemos o paradigma da informação,
onde a velocidade e a capacidade de adaptação às
mudanças, vencem o tamanho e a grandeza dos recursos".
Falo isto, baseado na minha própria experiência
em consultoria de Recursos Humanos, onde tenho participado de
projetos de desenvolvimento e de implantação de
mudanças em empresas que estão trocando seus "Recursos
Humanos" por "Gestão Estratégicas de Pessoas",
estabelecendo um novo ambiente organizacional, deixando a tradicional
"Cultura do Direito Adquirido", com rumo à "Cultura
da Consquista".
Nestas empresas, um plano de metas se assemelha a um plano de
vôo. "Você não conhece a rota, sabe das
coordenadas para ir de um ponto ao outro, mas não pode
dizer que é uma aventura, senão você vai administrar
sozinho". A meta deve dar credibilidade à visão
e deve estar alinhada ao plano estratégico, no seu conceito
macro. Mesmo que a organização tenha um plano detalhado,
é bom desenvolver junto às pessoas uma previsão
de erro e adotar uma cultura da busca constante de melhoria. Portanto,
o erro passa a ser encarado como um case, que deve ser analisado
criteriosamente, deixando de ser objeto de penalidades.
Às vezes, errar é até saudável. Na
década passada, uma das metas de um grande número
de empresas era ganhar alguma concorrência na privatização
do setor de telecomunicações, e afirmo isso porque
atuo neste setor. Algumas empresas não levaram nada e aquelas
organizações consideradas "inteligentes",
que tinham uma previsão e margem de erro, hoje não
estão decadentes por isso.
"Olha como está esse mercado", dizem os mais
pessimistas sobre Telecom; "Ainda bem que não conseguimos
cumprir a meta", pensam outros. Um bom exemplo de metas de
transformação é a empresa de papel e celulose
Bahia Sul, do grupo Suzano, presente em um grande número
de cases apresentados pela mídia e nas salas de aula. Criada
em 1992, a Bahia Sul ainda patinava até meados de 1998,
com taxa de retorno dos investimentos negativa, quando resolveu
adotar um programa da Fundação para o Prêmio
Nacional de Qualidade (FPNQ). No âmbito macro da gestão
empresarial - PEST- as metas, de cinco anos, incluíam ações
em relação a pessoal, clientes, estratégias
e processos.
Existiam várias ações encaminhadas, mas
não iam todas na mesma direção. Quando adotaram
os critérios da FPNQ, de classe mundial, conseguiram criar
uma cultura de comprometimento com controle de custos, busca de
resultados e companheirismo, através de um modelo de gestão
estratégica de pessoas. Como implementar este conceito
participativo? Um exemplo da mudança pode ser as reuniões
semestrais para prestar contas aos empregados sobre o plano diretório
e os resultados, que pode ser através de uma comissão
para apurar Lucros ou Resultados.
Outra questão espinhosa no estabelecimento de metas é
o eterno conflito entre o curto e o longo prazos, ou seja, entre
o estratégico (norte/ideal) e o operacional (real). Numa
época de crise, por exemplo, os problemas com a administração
financeira e do fluxo de caixa começam a aparecer no curto
prazo e os resultados têm de vir imediatamente, sob pena
da empresa jamais chegar pelo menos ao médio, que dirá
ao longo prazo. É preciso dosar muito bem as metas.
Portanto, neste momento, justificam todos os esforços
do novo modelo, daquele onde as pessoas estão compartilhando
as informações, em mão dupla. Academicamente,
o que importa são os objetivos de longo prazo. Mas na vida
real, estes esforços são maximizados quando existe
um alinhamento de todos os envolvidos para uma única estratégia,
onde todas as metas de curto prazo são passos no caminho
da redenção e da imortalidade da empresa.
Na prática, quase sempre os objetivos de curto prazo conflitam,
e muito, com os de longo. Desta forma, compartilhar com as pessoas
as informações, através de um estilo de gestão
participativa e democrática, pode se tornar um diferencial
competitivo, capaz de perpetuar a organização.
Em primeiro lugar, numa organização não
participativa (autocrática) os momentos de crise são
vividos por um pequeno e "seleto" grupo de pessoas,
porque o enxugamento dos custos costuma gerar excelentes resultados
de curto prazo, mas deixa a estrutura enfraquecida pela falta
de compartilhamento dos valores, onde as pessoas tornam-se resistentes
e adotam uma postura defensiva, deixando o clima organizacional
ruim, desagregando as pessoas e trazendo o caos.
Nestas organizações, normalmente familiares, o
principal executivo não é incentivado a pensar no
longo prazo, pois os demais acionistas, geralmente da mesma família,
conflitam em seus interesses, virando uma verdadeira torre de
Babel, ninguém se entende e não chegam a lugar algum.
Topo
Tomando um
trago já no ventre materno
Ninguém é capaz de dizer exatamente quantos nenês
nascem com o sinal de droga no rosto: lábio superior reto
e extremamente fino, nariz largo, olhos pequenos e reduzidos por
dobras no lado interno da pálpebra.
O que pesa muito mais é o retardo mental vitalício
da criança que — como embrião indefeso —
foi condenada a compartilhar a bebida.
Na Alemanha, cerca de 3 recém-nascidos em 1.000 vêm
ao mundo com essa doença incurável, a síndrome
do alcoolismo fetal. Hoje, 30 mil jovens são incapazes
de levar uma vida normal. Perderam essa chance no ventre materno.
Isso soa extremamente duro, mas todo esforço em atenuar
o fato está errado em vista desse sofrimento evitável.
Há milênios sabemos que o álcool pode ter
conseqüências perigosas durante a gravidez. Na Bíblia,
no Velho Testamento, um anjo adverte a mãe de Sansão
a não tomar vinho durante a gravidez. Há 200 anos,
uma comissão britânica tachou os recém-nascidos
de mães alcoólatras de "famintos, atrofiados
e defeituosos". Há duas décadas, médicos
franceses e americanos documentaram e divulgaram as conseqüências
do abuso de álcool durante a gravidez. Na mesma época,
os pediatras Hermann Löser e Frank Majewski observaram um
"faro" específico nas mães de bebês
prejudicados. Fazendo perguntas sobre problemas com álcool,
obtiveram a confirmação. Desde então, prestaram
atenção à manifestação de problemas
causados pelo álcool quando examinavam seus pequenos pacientes.
Além da má-formação dos olhos, dos
rins, do esqueleto e dos genitais, constataram defeitos cardíacos
em 30 de cada 100 crianças com a síndrome do alcoolismo
fetal. Hermann Löser observou 200 dessas crianças
nos anos seguintes e acompanhou seu desenvolvimento até
a idade adulta. Há vários anos ele ajuda a "Iniciativa
de pais de crianças prejudicadas pelo álcool"
como conselheiro médico e engajou-se na pesquisa e divulgação:
"Não estamos saindo do lugar", diz o pediatra.
"Desde que conhecemos a doença, não foi possível
diminuir o número de recém-nascidos atingidos".
Os motivos disso são:
1. Poucos médicos decidem conversar com suas clientes
sobre o hábito de beber.
2. Muitas mulheres não sabem, ou reprimem o conhecimento,
que as crianças, vítimas do álcool, são
prejudicadas pela vida toda.
3. Nas garrafas e latas de bebidas alcoólicas faltam advertências,
que são obrigatórias, por exemplo, nos Estados Unidos.
4. São raros os locais adequados para o tratamento de gestantes
dependentes do álcool. Quando existe, o tratamento ocorre,
muitas vezes, somente depois do parto.
5. Não é raro a mulher dependente de álcool
deixar temporariamente de menstruar. Ela só percebe que
está grávida quando sente os movimentos da criança.
6. Nesse momento, as malformações orgânicas
e os danos cerebrais já ocorreram.
O recém-nascido, que precisa "beber junto" no
ventre materno, muitas vezes nasce prematuro, com peso bem abaixo
do normal. Tem dificuldade em respirar espontaneamente. Muitos
morrem nos primeiros dias após o parto, como o bebê
da clínica de Essen que chegou ao mundo com uma taxa de
1,3 ppm no sangue. A extensão do dano causado pelo álcool
está estreitamente relacionada com a duração
e quantidade da ingestão de álcool — e, sobretudo,
com a capacidade do organismo feminino de digerir o álcool.
Isso quer dizer que:
O tempo e a regularidade de ingestão de álcool aumentam
os danos provocados no fígado. Ele demora cada vez mais
para digerir o álcool. Como o álcool passa rapidamente
para o sangue, o drinque da mãe já atua sobre o
bebê após 10 minutos, com o mesmo valor em ppm. Mesmo
pequenas quantidades de álcool prejudicam o embrião.
Por esse motivo, os filhos de mães que bebem moderadamente
sofrem de problemas de concentração e dificuldades
comportamentais. O fígado imaturo do feto produz menos
enzimas que decompõem o álcool do que o fígado
da mulher adulta. Durante a ingestão regular de álcool
pela mãe, o órgão ainda imperfeito do feto
é completamente sobrecarregado e o efeito devastador do
veneno é mais prolongado, continuando ainda quando a gestante
voltou a estar sóbria. O abuso de álcool não
prejudica apenas o fígado; as conseqüências
desse abuso se alastram até o cérebro. Em geral,
esse fato não é levado em consideração
durante o consumo regular de álcool! ALT="criança
marcada pela droga" align=left>Sob a influência
do álcool, o desenvolvimento do cérebro em formação
fica prejudicado. As circunvoluções cerebrais são
menos pronunciadas e numerosas células nervosas ficam atrofiadas.
Conseqüentemente, essas células dispõem de
uma quantidade menor de sinapses — as conexões tão
importantes para a transmissão de impulsos. Uma rede incompleta
de neurônios conduz a informações errôneas
e reações estranhas. Mais estranhos são os
problemas na alimentação, que só são
superados através de refeições mínimas
durante meses e anos — em casos graves, somente por meio
de uma sonda nasal. Crianças com síndrome do alcoolismo
fetal recusam o alimento porque lhes falta a vontade normal de
comer. Muitas vezes, comer e beber lhes causa medo e mal-estar.
Seu tecido adiposo não é bem desenvolvido e, apesar
de muitos cuidados e carinho, baixo peso e altura são a
regra. Nervosismo inexplicado frente a determinados ruídos,
irritabilidade excessiva e receio de qualquer contato físico,
hiperatividade, sensação de náusea frente
a cheiros comuns, bem como dificuldades na fala são problemas
freqüentes. Muitas crianças com síndrome do
alcoolismo fetal vivem em creches ou com pais adotivos, porque
os pais verdadeiros não cuidam (ou não podem cuidar)
delas. Muitas vezes, as pessoas que cuidam dessas crianças
não sabem nada da doença, que só é
diagnosticada a tempo em um quarto dos recém-nascidos.
Quando ficam sabendo dos problemas, caem das nuvens.
Além dos receios por causa do comportamento estranho, as
perspectivas futuras da criança prejudicada pelo álcool
são mais do que graves:
Apenas cerca de 17% conseguem acompanhar o currículo normal.
A metade tem que freqüentar uma escola para crianças
com dificuldades de aprendizagem. 1/5 vão a uma escola
para deficientes. Uma em cada oito crianças com síndrome
do alcoolismo fetal não pode freqüentar uma escola.
Na maioria das crianças com síndrome do alcoolismo
fetal, as deformações faciais desaparecem quando
ficam mais velhas. Também a hiperatividade muitas vezes
diminui. Mas a deficiência mental as acompanha pela vida
toda. Conseguir ser independente, aprender uma profissão
ou achar um parceiro é menos uma questão de cuidados
intensivos — depende da gravidade do dano alcoólico
que sofreram inocentemente.
Gestação e álcool são incompatíveis
— não há meio termo. Não existe uma
"dose limite" no consumo de álcool. A mulher
que deseja ter um filho deve se abster do álcool já
antes e durante a concepção.
Fonte: Vita Sana Magazin, nº 5 de 1991.
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Adolescência
Introdução
Desde o nascimento o ser humano percorre um caminho de crescimento
que busca alcançar a maturidade, ou seja, busca torná-lo
capaz de realizar-se como pessoa e como ser social. Esse processo
de crescimento sempre é acompanhado de angústias.
Para cada desprendimento há também um sofrimento.
Desde o início da vida com o desmame, o engatinhar, o andar
, mais tarde, o ter que ir à escola, etc., até os
processos posteriores de adaptação às diversas
situações da vida, que o obrigam a abandonar situações
conhecidas e confortáveis e arriscar-se em novas vivências
que a vida traz.
De todo o processo de desenvolvimento, a adolescência é
o período mais tumultuado e decisivo. A criança
adaptada à vida familiar é surpreendida por uma
seqüência de modificações em seu corpo,
acompanhadas de instabilidade psicológica. Isso tudo vai
provocar um desequilíbrio e uma transformação
de todo o seu ser. Percebe-se deixando a cômoda condição
infantil e ingressando no mundo adulto, sem ainda se sentir preparada
para isso.
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Puberdade
Para falarmos da adolescência precisamos passar pela puberdade,
que é onde tudo começa.
Por volta dos 9-10 anos na menina e dos 10-11 anos no menino,
as glândulas endócrinas atingem o amadurecimento
e modificam seu funcionamento. Elas passam então a liberar
hormônios no organismo que promovem tanto a maturação
sexual, permitindo a capacidade reprodutiva, quanto o desenvolvimento
geral do corpo do jovem, até atingir a forma adulta.
Na menina o primeiro sinal da ação desses hormônios
é o aparecimento dos brotos mamários, com o aumento
da sensibilidade dessa região. Logo começam a surgir
os pêlos pubianos e axilares. Depois, ela entra na fase
do estirão em que seu corpo cresce, estica e seus quadris
se alargam,vai se perfilando a figura feminina. Mais tarde, ela
se surpreende com a primeira menstruação e se dá
conta de que já pode ser mãe.
Nos meninos o primeiro sinal é o crescimento do pênis
com freqüentes ereções espontâneas, que
vão desenvolvendo nele a segurança da potência
masculina. Surgem, também os pêlos pubianos, axilares
e mais tarde, os da face. Vem, então, a fase do estirão,
em que seu corpo estica – ele se vê comprido, com
pés, mãos e nariz grandes. Sua voz se modifica e
oscila entre o fino e o grave.
Pouco mais tarde percebe que já produz espermatozóides
e pensa: já posso ser pai.
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A
perda do corpo infantil
Diante das modificações do seu corpo, o adolescente
se sente desengonçado, estranho em si mesmo. A maneira
como vai sentir e aceitar essas mudanças do seu corpo depende
de sua subjetividade. Normalmente fica vulnerável às
questões da aparência e qualquer reação
das pessoas que lhe soa próximas pode ser suficiente para
desencadear fortes sentimentos de insegurança. É
comum observarmos o adolescente diante do espelho durante longos
períodos de tempo; isso representa a necessidade de se
apropriar desse novo corpo. Fica atento a detalhes e propenso
a potencializar qualquer pequeno “defeito”. Alguns
se defendem da insegurança que sentem desse novo corpo
através do isolamento ou da timidez.
Todo esquema corporal formado durante a infância passa agora
por uma transformação. Se isso pode ser perturbador
é também muito saudável, porque conduz a
novas potencialidades do corpo do jovem.
Enquanto seu corpo se modifica sem que ele possa controlar, também
as emoções infantis agora se misturam e se confundem
com novas necessidades. Percebe-se deixando antigas brincadeiras
e objetos e se voltando curioso a um mundo novo que percebe estar
se abrindo à sua frente.
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Algumas “anormalidades”
normais da adolescência
Esse período da vida tem suas características próprias:
- O adolescente está vivendo um momento de crise. Ele não
é mais criança, mas também ainda não
é um adulto. Está buscando sua identidade. Sente-se
confuso “perdido”. Freqüentemente se pergunta:
“quem sou eu?”
- Seu corpo fica inquieto. Está sempre em movimento, anda,
toca, pula, dá socos, balança as pernas,bate os
joelhos, enfim se expressa fisicamente de múltiplas formas.
- É rebelde. Resiste em cumprir as tarefas que lhe são
impostas, em função de sentir necessidades de reafirmar
sua personalidade.
- Interessa-se bastante por esportes, rádio, TV>
- Tem dificuldade em ordenar suas coisas, que geralmente ficam
esparramadas para todos os lados.
- Experimenta altos e baixos emocionais. Passa da euforia para
a melancolia num clicar de dedos, sem nenhuma razão concreta.
- Preocupa-se com a justiça, apesar de , ao mesmo tempo,
se divertir enganando os adultos.
- É muito freqüente uma grande disposição
para a amizade, e é comum nessa fase desenvolver laços
profundos.
- O amor que o adulto tem pelos pais não é igual
ao da criança. O do adolescente, então, está
na fase de transformar o amor infantil que tem por seus pais,em
um amor mais consciente e adulto. Por isso a relação
que têm com eles se modifica. Ele oscila entre um apego
intenso, acompanhado de beijinhos e abraços, à rejeição
brusca e às vezes até agressiva. Para perder a dependência,
ele deprecia os pais. Acontece de se envergonhar deles, de os
achar muito velhos ou mal vestidos, caretas, etc.. É a
conhecida fase do “mico”. Com esse “rompimento”
com os “pais da infância”, sente necessidade
de buscar novas identificações em outros adultos
e adolescentes. Aí “elege” pessoas que admira,
entre elas costumam estar professores, treinadores esportivos,
ídolos da música, TV ou cinema. E também
busca a turma, que é acolhedora e vai ocupar o lugar que
a família ocupava antes.
- Para encontrar a sua identidade, inicialmente é mais
fácil mudar o parecer do que o ser. Por isso se diferencia
através da roupa,dos piercings, etc, enfim através
da aparência.
- Apesar de ter uma necessidade imensa de se comunicar, costuma
ter dificuldade de falar. A maneira que tem de se expressar é
através da ação. O adolescente fala através
do corpo. A expressão do seu mundo afetivo se dá
mais pela gesticulação. Essa é a razão
de atitudes bruscas, às vezes agressivas, porque ele age
no lugar de falar. Isso parece ser uma defesa contra o medo de
adultos exigentes e críticos por quem não sente
que será aceito, já que no grupo, onde se sente
igual e compreendido, consegue falar mais livremente.
- Testa todas as regras, mas, apesar disso, precisa encontrá-las
sempre lá, firmes, para se sentir seguro. Ao tratar com
o adolescente é importante que ao lado das regras sempre
se mostre um espaço, uma abertura, para conversas francas,
que transmitam respeito e acolhimento. Se ele comparar as regras
de sua família com as da família do amigo é
importante dizer que nesta casa é assim, e que ele vai
precisar se submeter a elas enquanto mora aí. Depois poderá
criar as suas próprias. È muito importante que a
proibição não tenha associação
com humilhação. Ser do contra, invalidar as propostas
dos pais, opor-se a eles é necessário para o adolescente
adquirir a sua autonomia.
- O sentimento de onipotência, em que ele se considera o
“todo poderoso”, tão comum nessa fase, nada
mais é que uma “fachada”, que esconde muita
vulnerabilidade. Por isso, é importante que o adulto acolha
o adolescente, que o receba sendo adulto que está diante
de um jovem e não esperando que ele já seja um adulto
pronto também.
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O Grupo
O adolescente está mais preocupado com o que ai ser do
que com o que vai fazer. Está num processo de transformar
a criança que há nele em jovem capaz de fazer escolhas
em todos os aspectos da vida, desde o corte de cabelo até
a profissão, religião, etc..
Para alcançar a individualidade ele precisa passar pelo
grupo. No grupo todas têm a mesma idade, as mesmas necessidades,
as mesmas dificuldades, ou seja, eles vivem num nível de
igualdade que gera segurança. A dependência que tinha
pela família quando criança agora é transferida
para o grupo. E essa vivência é muito importante
e necessária. Ela exercita as relações de
dar e receber. Permite a liberdade de errar e acertar sem críticas
e condenações, enfim, ela favorece o desenvolvimento
da tão desejada identidade. O adolescente que não
passar pela vivência do grupo ficará prejudicado,
porque terá que dar conta sozinho de intensas e freqüentes
emoções.
Por outro lado, sabemos que o grupo pode esconder perigos. O adolescente
está entrando num vasto território do qual não
tem o mapa. Na ânsia de ampliar suas experiências
e maravilhado com a força que descobre ter, ele nega a
noção do risco. Vale lembrar que risco vem do grego
rhiza, que significa raiz. Então a perda da noção
de risco poderia ser entendida como uma quebra da condição
de “propriedade” dos pais – sua condição,
sua raiz. Quando corre risco sente como sendo ele o dono de si
mesmo.
No entanto, com isso ele pode se expor à situações
complicadas, como beber e sair dirigindo em alta velocidade, porque
acredita que com ele nada vai acontecer. Experimenta drogas achando
que nunca vai ficar dependente - mas a partir do momento que experimentou
já abriu a possibilidade disso voltar a acontecer. Faz
sexo sem proteção e se expõe a possibilidade
de doenças ou gravidez indesejada, etc.. Ou seja, não
costuma considerar conseqüências e com isso, infelizmente,
muitos adolescentes ficam presos a fatos ou processos, muito vezes,
de autodestruição.
É importante que os pais estejam atentos. Que conheçam
o grupo, que saibam quem são os amigos e os ambientes que
seu filho freqüenta. Quando o filho chega, se possível,
estar presente e observar a maneira como ele está, olhar
em seus olhos e observar se há algo que mereça uma
atenção maior ou maiores cuidados. Devem fazer saber
das regras e colocar limites. Porém, há também
que se respeitar a fase de emancipação do filho,
pois adotar somente uma postura repressiva poderá estimular
o adolescente a arriscar-se em perigos ainda maiores.
Da infância dependente para a autonomia
A criança precisa da dependência dos pais para sobreviver.
É na infância que se constrói os alicerces
necessários para suportar os abalos da adolescência.
Quando as angústias da infância foram vividas com
pais presentes, disponíveis, que, sem sufocar, souberam
valorizar cada nova conquista da criança, foram previsíveis,
na maneira de ser e de cuidar – porque pais inconstantes
desorientam o filho. Os filhos que nos momentos de medo encontraram
acolhimento e foram tranqüilizados, o que proporciona uma
confiança e estabilidade emocional, conseguem lidar melhor
com as dificuldades da adolescência, são mais seguros;
e têm mais facilidade em construir uma identidade adulta,
confiante e segura.
Já, o inverso, pais que durante a infância foram
indiferentes, que deixaram que seus filhos se virassem sozinhos,
criticaram muito as falhas – o que faz a criança
se sentir desvalorizada, não ouviram suas angústias
e temores ou sufocaram suas tentativas de desprendimento, produzem
no filho um mundo psicológico inseguro, cheio de vazios,
lacunas e inseguranças, que o acompanharão durante
todo o processo de desenvolvimento e, na adolescência, terá
grandes chances de se complicar e vir a ser a causa da busca do
uso das drogas que eles descobrirão preencher, magicamente,
suas angústias, seus vazios e produzir o sentimento da
satisfação, de bem estar, tão procurado durante
toda a sua existência.
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A Família
De uma maneira geral, constata-se que a família de hoje
tem dado pouco apoio para as angústias dos filhos. Com
a correria do dia-a-dia, cada um mal consegue suportar suas próprias
angústias e com isso passam por cima do que há de
mais importante, que é a formação dos filhos.
Num grande número de casos essa responsabilidade acaba
ficando por conta das avós, das babás, das escolas,
quando não acaba ficando por conta do próprio filho.
Há grande preocupação em dar conta de tudo
rápido, mas a educação não é
rápida. Ela é dia-a-dia, contínua, respeitando
o tempo e o ritmo interno de cada um.
O jovem precisa muito mais de boa vontade do que de críticas.
Há que se desenvolver um vínculo de afeto e de confiança
e para isso é importante criar tempo para estar junto,
é preciso suportar momentos de tensão, agüentar
o tempo do jovem de fazer reclamações e protestos.
O jovem precisa de adultos seguros, que se aproximem dele com
respeito e acolhimento respeitando o tempo dele ser jovem e não
de adultos rígidos, autoritários, donos de verdades
muitas vezes vazias de sentido.
O adolescente precisa ser formado e não informado. E formar
significa colocar para fora o potencial do indivíduo.
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