Programa de Prevenção da dependência química na empresa

Introdução

Segundo a Organização Mundial de Saúde – OMS, a dependência química é a doença que mais mata no mundo, precedida apenas pelo câncer e doenças cardíacas.

Dependência química é a perda de controle sobre o uso de substâncias alteradoras do estado de humor. É doença primária, crônica, progressiva e fatal.

Justificativas para a implantação do Programa

Conforme dados da ABEAD – Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas, em 1990 tínhamos aproximadamente 13 milhões de Dependentes Químicos no Brasil, sendo que a Dependência Química custou ao país 5,4% do PIB.

As empresas estão cada vez mais apreensivas com a amplitude da Dependência Química entre seus empregados, haja vista o que a doença causa em nível global:

  • Prejuízos financeiros ausentam-se 3 a 5 vezes mais do que os empregados sem problemas, provocam de 25 a 54% dos acidentes de trabalho;
  • Queda da produtividade individual cai para 65% a 85% do normal;
  • Piora da qualidade de trabalho;
  • Maior tensão existencial no ambiente operacional da empresa;
  • Mal-estar coletivo entre os trabalhadores.

Na atualidade, onde a preocupação reside em qualidade total, erro zero, mercosul, processos ISO de Certificação, globalização da economia (processos de mudança em busca da excelência empresarial), há a necessidade de reconhecer que a mudança principal se faz através do material humano, alicerce fundamental no binômio qualidade e produtividade.

Empresas como: Volkswagen, Ford, General Motors, Alcoa, Goodyear, Sabesp, Petrobrás, Invista, Agroceres, Codistil, Gerdau, EMDEC – Campinas, entre outras, descobriram que é muito mais vantajoso recuperar do que simplesmente demitir. Os custos diretos demissão, encargos sociais, recrutamento e seleção, treinamento são maiores que os custos indiretos programas de saúde, tratamento.

Os resultados têm sido bastante animadores em termos preventivos, visando com isso à intervenção precoce.

Devido à natureza progressiva da Dependência Química, torna-se muito difícil detectar um dependente ou usuário de droga na fase de admissão de pessoal, por mais criterioso que seja o processo de recrutamento e seleção.

Estas pesquisas demonstram que investir em recuperação faz sentido em termos de lucro efetivo para a Empresa, pois:

  • Reduz a rotatividade de pessoal;
  • Melhora produtividade e qualidade laboral;
  • Melhora qualidade de vida do trabalhador;
  • Promove bem-estar coletivo no ambiente de trabalho;
  • Reduz acidentes de trabalho;
  • Reduz absenteísmo;
  • Reduz ociosidade de mão-de-obra e equipamento.

Além dos fatores enumerados acima, acrescenta-se o fato da Empresa consolidar o seu papel social na melhoria das condições de vida do empregado e familiares, impactando positivamente a comunidade do entorno.

O Programa

Objetivos:

  1. Desmistificar o problema da dependência química, encarando-a como doença tratável;
  2. Habilitar o reconhecimento precoce por parte das chefias, com relação aos empregados que estejam apresentando o problema;
  3. Habilitar equipe multiprofissional a desenvolver intervenção em nível de:
    • prevenção primária educação;
    • prevenção secundária encaminhamento para tratamento;
    • prevenção terciária acompanhamento/reintegração.
  4. Reduzir freqüência de atitudes inconvenientes:
    • absenteísmo;
    • conflitos de relacionamento;
    • baixa produtividade;
    • acidentes de trabalho.
  5. Assessorar na definição das bases para elaboração de uma diretriz para o Programa de Dependência Química tendo em vista o diagnóstico, tratamento, reintegração, bases para dispensa (conforme o caso).


Propostas e estratégias de ação

A proposta do programa de prevenção baseia-se nos seguintes pontos:

• Definição de uma diretriz estabelecendo como a empresa encara a Dependência Química e o que pode oferecer aos seus funcionários portadores da síndrome, esclarecendo o que caberá ao empregador, ao empregado e definindo os limites.

• Esclarecer junto aos empregados a origem da Dependência química, sua evolução e seu tratamento e qual será a diretriz da empresa para os casos que surgirem.

• Preparar gerentes, supervisores, lideres e assemelhados para que reconheçam os casos de Dependência Química e encaminhem para a equipe multiprofissional da empresa.

• Capacitar uma equipe multiprofissional para que aborde as pessoas portadoras da doença com o objetivo de levá-las a aceitar tratamento, encaminhando-as para o Serviço Médico, onde após avaliação e diagnóstico, serão encaminhadas para os recursos disponíveis. Esta mesma equipe providenciará os procedimentos de reintegração e acompanhamento, após o tratamento.

Organização Geral:

1ª Etapa: Formulação de diagnóstico situacional, avaliação da cultura empresarial, elaboração do cronograma de treinamento e apresentação de elementos para elaboração da diretriz da empresa.

2ª Etapa: Sensibilização de diretoria e gerências.

3ª Etapa: Capacitação técnica da equipe multiprofissional.

4ª Etapa: Treinamento de supervisores, líderes ou assemelhados.

5ª Etapa: Sensibilização dos empregados em geral.

6ª Etapa: Exames toxicológicos – 100% para novas contratações/admissional – exames aleatórios/mês para 5% a 10% dos colaboradores divididos em testes semanais – monitoramento semanal/quinzenal/mensal em 100% dos colaboradores que derem resultado positivo e estiverem inseridos no programa de recuperação
– 100% pós acidente.

Carga horária estimada para implantação do programa: presencial e/ou à distância
(web/mídia) de 04 a 12 horas, conforme as necessidades.

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